Páginas

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Ralph Bakshi - O gênio da animação underground

A animação de Ralph Bakshi é bastante agraciada por considerar em sua temática uma discussão até então inédita nos longas de animação dos anos 60 e início dos anos 70. Diferentemente de Disney, Bakshi se volta para temas como sexo, drogas, política etc.

Israelense, radicado em Nova York, Bakshi formou-se pela High School of Arts & Design e trabalhou em diversos estúdios de animação. Inicialmente atuava como clean up man, passando ao posto de cell painting. Em seguida, tornou-se animador elaborando seqüências para o famoso Super Mouse e os personagens Faisca e Fumaça.

Ao deixar os estúdios de animação da Paramount, Bakshi montou seu próprio estúdio em 1968, o Ralph´s Spot. Neste período, produziu e dirigiu "O Homem Aranha" e diversos filmes publicitários. Em 1972, é lançado com grande sucesso "Fritz, The Cat", inspirado no personagem de Robert Crumb. Em 73, "Heavy Traffic" traz animação e ação ao vivo no mesmo filme, sendo também um grande sucesso de crítica. Em seguida veio "StreetFight", de 1975, e "Wizards", de 1977, também com grande sucesso de crítica. Nestes trabalhos, Bakshi embora se utilizando de filmagens ao vivo, ainda não havia aplicado a rotoscopia, técnica inventado pelos irmãos Fleischer, na década de 20.

Em 1978, Ralph Bakshi lança "O senhor dos Anéis", baseado na obra do britânico John Ronald Reuel Tolkien. A idéia era produzir dois longas, mas somente o primeiro foi finalizado. É nesta obra que Bakshi se utiliza amplamente da rotoscopia para produzir uma animação extremamente realista. Em 1980 é lançado "Hey, Good Looking", também se utilizando de filmagens ao vivo, mas não da rotoscopia. Em 1982, temos "American Pop" e em 1983, "Fire & Ice", ambos rotoscopiados.

A partir de então, Bakshi dedica-se a uma série de produções, inlcuindo um video clip para os Rolling Stones, uma série de desenho para a rede de televisão CBS, "As aventuras do Super Mouse", "Cool World" e outros. Sem sombra de dúvidas, a genialidade de sua obra consiste na conciliação de sua primoroza técnica com um olhar único acerca do universo adulto, aliando sátira à uma crítica política objetiva.

Como sugestão, o
site oficial de Bakshi traz uma série de informações acerca de sua trajetória, incluindo entrevistas, galerias de imagens, filmografia etc. É só conferir...

terça-feira, janeiro 30, 2007

Blackton e o "The Enchanted Drawing"

James Stuart Blackton foi um típico representante do chamado lightning sketches, atividade em que o desenhista tinha sua performance filmada mediante um engenhoso plano de efeitos de truncagem - susbstituição por parada de ação.

Esse fenômeno marca, para muitos autores, o surgimento da animação e desfruta de grande aceitação pelo público do início do século 20. É bem verdade que essa prática não se ajuste plenamente ao conceito mais formal de Cinema de Animação em que o movimento é obtido ou elaborado passo a passo, ao contrário do cinema de ação direta. Na verdade, Blackton desenvolveu uma espécie de hibridismo em seu desenho: performance ao vivo seguida de truncagens tal qual Melies. Entretanto, é com Blackton que temos, de fato, esta técnica aplicada ao desenho. Sem sombra de dúvidas, temos ai o marco inicial deste gênero de cinema. Em sua obra "Humorous Phases of Funny Faces", de 1906, vemos, desde os créditos de abertura, uma animação mais vigorosa, fato que responde satisfatoriamente a questão levantada no título desta postagem.

No filme acma é possível perceber o grau de criatividade de Blackton. O "The Enchanted Drawing" de 1900, traz efeitos que ainda hoje nos despertam curiosidade, mesmo com a fácil compreensão de sua realização. A retirada da garrafa do quadro negro é o auge do filme. O interessante é perceber em qual momento se dá a parada da filmagem. Neste caso, assistimos a uma subversão da técnica da parada (base do stop motion) para a criação de pequenas surpresas visuais. Não há enredo propriamente dito e a "brincadeira" se resume às surpresas citadas.

O truque por trás de "The Enchanted Drawing"

O filme tem duração de aproximadamente um minuto e meio. De início Blackton desenha sua cria, em seguida uma taça e uma garrafa de vinho. A partir de então lança mão das "paradas" e interage com o desenho com uma continuidade espantosa. A retirada da cartola da cabeça do senhor segue a linha da maestria, pois não percebemos falhas no encaixe dos desenhos. O planejamento de Blackton é esplêndido, e deixa muita gente de queixo caído, mesmo com as facilidades da tecnologia de edição de vídeo digital. Finalmente, os objetos são devolvidos ao desenho.

É conferir para crer, mas lembrem-se de que o ano é 1900.